Crítica || Coringa

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Surgindo pela primeira vez em 1940 e sentindo todas as alterações necessárias a um personagem de uma comic book, o palhaço do crime criado por Jerry Robinson, Bill Finger e Bob Kane, tornou-se pateta. Tim Burton e Christopher Nolan reviraram o baú e resgataram um personagem esquecido, dando um novo e sombrio fôlego para o vilão. Mas sem dúvidas, é Heath Ledger quem ficou marcado pela eternidade.

Joaquin Phoenix é conhecido por escolher seus papéis a dedo, com Coringa não foi diferente, uma vez que ele demorou para dar um sim definitivo para Todd Phillips.

Antes de mais nada, vale lembrar e ressaltar algumas coisas importantes a respeito do novo longa metragem da DC. Coringa não é um filme sobre heróis, não é um filme sobre o Batman, nem um filme sobre política. O filme trata sobre as origens do vilão, sobre quem ele era antes, sobre o que aconteceu e o levou para o caminho do crime.

Arthur Fleck é um palhaço que faz pequenos bicos e vive na sombria e decadente Gotham dos anos 80. Para entender o que leva Arthur a se tornar o Coringa, é preciso entender o cenário, uma Gotham que está atravessando uma crise, lixos se acumulam pela cidade, o clima de tensão aumenta a cada dia e, a medida que o filme avança, percebemos em como a população sente isso. Arthur se mantém são e, aos poucos, desgraça a desgraça, vai se perdendo, e perdendo tambem, aquilo que nos mantém na linha. O descaso e a falta de esperança são apenas dois dos fatores que levam Arthur Fleck a se tornar o vilão célebre.

Joaquin Phoenix nos apresenta um Coringa depressivo, sombrio e intenso. Todd Phillips nos da um filme que representa sua própria desesperança; um filme cuja função é chocar e não apenas entreter; um filme que brinca com o imaginário do expectador, que faz rir de nervoso e prender a respiração pela sensação de agonia.

Joker tem boa trilha sonora, uma belíssima estética (nota para a cena em que o Coringa em seu terno vermelho dança na escadaria), cenas com uma grande e proposital violência em excesso e um deleite de atuação de Joaquin Phoenix. Coringa é um filme sobre um vilão dos Quadrinhos, mas exige do expectador um minuto de silêncio ou quem sabe, mais algumas horas, para reflexão. Coringa reflete nossa própria sociedade.

Formada em gastronomia por uma universidade paulista, especialista em jornalismo cultural e uma artista por natureza. Apaixonada por livros, séries e cinema desde sempre.

Nina Xaubet – que já escreveu publicações em Cinefilando.


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