Crítica || Bacurau

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Escrever e falar sobre Bacurau, não é fácil. “É impactante”, disseram eles. Com muita razão.

Bacurau tem seu início nas estrelas, no espaço e no melhor zoom-in até aquele pontinho esquecido no meio do sertão pernambucano. É uma cidade pacata, de poucos habitantes e que pode, muito bem, ser qualquer outra cidadezinha no interior desse país gigantesco que é o Brasil. É um longa estranho,  interessante e intenso, que usa o melhor que o cinema moderno tem a oferecer, causando uma sensação de desconforto ao espectador que não consegue identificar o que ele realmente está assistindo. O mais novo longa-metragem brasileiro, ganhador do prêmio Juri, é polêmico, cômico e exagerado, comparando-se a qualquer filme tarantinesco.

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A trama gira em torno da cidadezinha Bacurau, com sua vida pacata e seus habitantes tranquilos, que tentam driblar os problemas não resolvidos pela prefeitura. Entretanto, as coisas começam a ficar estranhas quando a cidade some do mapa, um caminhão-pipa é alvejado com tiros, habitantes morrem… A medida que cada estranheza acontece, o suspense e a tensão aumentam, e surpreendem o espectador com novos detalhes a respeito da cidade e sua população. População que, por sinal, se respeita como iguais, não importando a profissão, credo, cor e raça, se unindo contra um inimigo comum.

Utilizando sua própria cultura, gastronomia, canções e história, os habitantes de Bacurau se unem contra o grupo de forasteiros para proteger sua própria gente e, através de cenas em que não se vê o atirador, parece mesmo que a cidade é que está se vingando. Vale ressaltar que os forasteiros não são comente um grupo de americanos, mas também o prefeito e os motoqueiros vindo do Sul, que em um dos melhores diálogos, se acham melhores que o restante do país, mas nas palavras dos americanos, “não são suficientemente brancos”.

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Bacurau é uma mistura de gêneros. É uma mistura que vai agradar aos fãs do drama nacional, aos fãs de filmes de ação, faroeste, filmes antigos e Star Wars, com todas as suas transições simplistas. É um filme que usa sua própria estranheza para se destacar. Que passa a sensação do calor escaldante do sertão com sua fotografia, e que tem nos momentos finais, cenas muito gráficas de violência. É um filme que tem a cidade como personagem principal, mas que fica difícil não falar do trabalho de Sônia Braga como Domingas, Udo Kier como o antagonista alemão e Silvero Pereira como Lunga.

Bacurau é um filme sobre resistência, que diverte e causa desconforto, mas também que mostra que o cinema nacional tem qualidade e não vive apenas de comédias clichês.

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Formada em gastronomia por uma universidade paulista, especialista em jornalismo cultural e uma artista por natureza. Apaixonada por livros, séries e cinema desde sempre.

Nina Xaubet – que já escreveu publicações em Cinefilando.


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