Projeta Brasil || Benzinho

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Projeta Brasil é aquele dia único no ano em que a rede Cinemark exibe filmes nacionais com ingresso custando apenas R$ 4,00, revertendo o dinheiro da venda para apoiar outros projetos nacionais que precisam de um incentivo. Foi com o estímulo de apenas quatro reais, que resolvi assistir á Benzinho, o único longa disponível para o horário em que fui ao cinema.

Benzinho nos conta um pouquinho da história de Irene, interpretada por Karine Telles, uma mãe que acaba tendo seu mundo virado de cabeça para baixo com a possível partida de seu filho mais velho, Fernando, que recebe uma proposta para jogar handball na Alemanha.

Irene tem quatro filhos: um par de gêmeos hiperativos, desobedientes e birrentos; o filho do “meio”, que toca tuba na banda marcial da cidade e tem distúrbios alimentares; e Fernando, o mais velho, O primogênito, A estrela, O filhinho da mamãe. Irene também tem um marido (Otávio Müller) que, a todo custo, quer vender a casa da praia porque ela gera custos e a livraria já não está mais dando lucros. E Irene tem a irmã, interpretada pela incrível Adriana Esteves, que sofreu uma agressão do marido e mora com o filho junto á Irene, os quatro filhos e o marido. Irene também vende lençóis, vende marmita com a irmã e sonha com a casa que está construindo com o marido. Irene cuida dos filhos, da casa e todo o resto. Ah, e Irene se formou no ensino médio e, ocasionalmente, tem discussões com o marido.

Essa não é a rotina apenas de Irene, mas da maioria das mães espalhadas Brasil e mundo a fora. É uma rotina extenuante e, na maioria das vezes, ingrata. Entretanto, é o retrato da maior parte das famílias brasileiras, seus dramas, luxos, alegrias… Sob este aspecto, Benzinho tem uma direção bem delicada, que consegue fazer seu espectador assistir á sua própria vida, suas próprias mães ao representar uma delas ali. Karine Telles supera expectativas quanto á sua atuação no papel da mãe de Fernando, que por outro lado, pode ser ocasionalmente irritante.

Benzinho tem boa fotografia, trilha sonora, direção, mas peca com um roteiro de final aberto, deixando o público frustrado. O longa explora bem sua personagem principal, Irene, mas falha ao explorar as relações dela com seu filho do meio, que tem um distúrbio alimentar (provavelmente causado pela falta de atenção e favoritismo da mãe ao filho mais velho), por exemplo.

Benzinho não é o tipo de filme que faz o perfil do brasileiro, que está mais acostumado com comédias pastelões ruins, tipo O Candidato Honesto, do que com filmes de pegada mais independente e cult.

Formada em gastronomia por uma universidade paulista, especialista em jornalismo cultural e uma artista por natureza. Apaixonada por livros, séries e cinema desde sempre.

Nina Xaubet – que já escreveu publicações em Cinefilando.


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