Literando || Mulheres do Brasil – A História não Contada

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Recentemente, recebi da Editora Leya o livro Mulheres Brasileiras – A História não Contada, do pesquisador e historiador Paulo Rezzutti. Anteriormente, li D. Leopoldina – A história não contada, também escrito pelo historiador. Sempre tive um apego a personagens históricos e a monarquias, também sempre achei que D. Leopoldina, assim como qualquer outra Habsburgo, fosse igualmente interessante, assim como Maria Antonieta também fora. O livro nos aproxima de Leopoldina de maneira que, mesmo conhecendo o desfecho de sua história, acabamos sentindo aquela tristeza por um personagem que se vai e por, de fato, entender todo o contexto da vida da Imperatriz.

Com Mulheres Brasileiras, não foi diferente. Achei que a leitura seria, no mínimo, interessante, já que teríamos ali uma lista de mulheres importantíssimas para a nossa história e, obviamente, não tiveram suas histórias contadas. Pessoalmente, me surpreendi muito com muitas delas. Em primeiro momento, Mulheres Brasileiras quebra um formato de um livro biográfico, cujo único trabalho é categorizar personagens históricas e resumir suas vidas em poucas páginas. Separados por temas e sempre relacionando uma personagem com a outra, o autor consegue nos apresentar um monte de mulheres que passam longe dos livros de escola. Separei cinco delas para contar para vocês:

1.  Aqualtune

Existe pouca documentação a respeito dela. Mas sabe-se que Aqualtune era filha de um rei do Congo que se tornou prisioneira após perder uma batalha. Ela liderou 10 mil soldados, mas mesmo assim, foi vendida como escrava e veio parar no Brasil. Quando chegou aqui, foi vendida como escrava reprodutora em porto Calvo (sul de Pernambuco) e lá cumpriu todas as suas funções como escravas. Por volta dos seus últimos meses de gravidez, ela fugiu para Palmares e lá, no quilombo, foi reconhecida como uma grande princesa guerreira e acabou recebendo um mocambo (território quilombola) para governar.

Seus filhos, Ganga Zumba e Ganga Zona, também tornaram-se chefes de mocambos e sua filha, deu-lhe o neto que seria conhecido até hoje: Zumbi dos Palmares.

2. Clara Camarão

Era uma índia que pode ter nascido nos arredores de Natal ou Ceará. Clara, assim como seu marido, Antonio Filipe Camarão, foram catequizados pelos jesuítas.
Clara se destacou numa batalha contra os holandeses quando surgiu com um grupo de mulheres para guerrear. Ela insuflou ânimo nos comandantes e a batalha teve seu fim. Seu grupo de mulheres escoltou refugiadas e ela é considerada a primeira heroína do Brasil. Infelizmente, com a morte do seu marido, não existem outras menções sobre ela.
Clara Camarão teve sue nome grafado no livro de açõ do Panteão dos Heóis, em Brasília.

3. D. Leopoldina

D. Leopoldina, já mencionada AQUI na resenha do livro que também foi escrito pelo Paulo Rezzutti, foi a primeira imperatriz brasileira e só aparece nos livros de história como esposa de d. Pedro I ou mãe de d. Pedro II. Nenhuma mulher deveria ser conhecida apenas por ser mãe ou esposa de alguém.

Ela foi a primeira a participar ativamente da policia brasileira e a governar diretamente o país. Leopoldina, como sendo uma Habsburgo, foi criada como estadista, conhecia línguas, geologia, ciências, literatura… Apesar do choque cultural ao chegar no Brasil, ela continuou a se interessar pela ciência, fauna e flora e apoiou a criação de instituições científicas brasileiras. Leopoldina influenciou diretamente d. Pedro I para que este desobedecesse às ordens de Lisboa e permanecesse como regente no Brasil, resultando na Independência.

4. Carolina Maria de Jesus

Nasceu em 1914 em Sacramento, Minas Gerais. Negra, descendente de escravos, cursou somente até o segundo ano do primário, largando a escola logo depois para trabalhar. No fim da década de 1950, quando já era mãe solteira de três filhos e morava no Canindé, Carolina foi encontrada pelo jornalista Audálio Dantas, que fazia reportagens pelo local. Ele ficou espantado com a mulher que brigava com os vizinhos e dizia que ia falar sobre eles no livro que estava escrevendo. O livro era um caderno achado no lixo, onde ela escrevia seu dia-a-dia.
Depois de ser tema de várias matérias em jornais da época, ela publicou seu primeiro livro: Quarto e Despejo – diário de uma favelada.

5. Maria da Penha Maia Fernandes

Maria da Penha casou-se com um economista colombiano chamado Marco Antonio Heredita Viveros, com quem teve quatro filhas. Após a naturalização de Marco no Brasil, Maria da Penha conta que foi neste momento que ele mostrou quem realmente era. Qualquer coisa, por menor que fosse, era motivo para ataques violentos por parte de Marco; esses ataques resultaram em várias tentativas de homicídio.
Maria da Penha passou quase duas décadas tentando conseguir que Marco fosse finalmente levado a justiça, mas foi somente quando seu caso foi parar na Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos de 1998, que o caso finalmente começou a caminhar para um desfecho. Ainda sim, anos depois Marco foi preso, mas ficou pouco tempo atrás das grades.
Em 07 de agosto de 2006, a lei nº 11.340, apelidada de Lei Maria da Penha, foi sancionada pelo presidente da república.

Inúmeras mulheres importantes tiveram suas histórias não contadas ou contadas pelos homens. Apesar do livro ser escrito por um AUTOR, Mulheres do Brasil – A História não Contada enaltece cada uma das personalidades ali presentes. Muitas delas, apesar de viverem em épocas muito distantes da nossa, com costumes diferentes, tentaram se impor de alguma forma.

Formada em gastronomia por uma universidade paulista, especialista em jornalismo cultural e uma artista por natureza. Apaixonada por livros, séries e cinema desde sempre.

Nina Xaubet – que já escreveu publicações em Cinefilando.


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