Crítica || Jogador Nº 1

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“Três chaves escondidas abrem três portões guardados
E três boas qualidades deverão ser inerentes ao errante avaliado
Quem demonstrar ter os exigidos predicados
Chegará ao fim onde o prêmio será alcançado.”

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Jogador Nº 1 estréia dia 29 de março nos cinemas brasileiros, porém ontem aconteceu uma pré estréia aqui em São Paulo e, a convite da Editora Leya, fui lá conferir o filme, que é uma adaptação do livro homônimo de Ernest Cline, um nerd gente como a gente que adora cultura pop e decidiu juntar tudo isso numa história alucinante. Para quem quiser ler a resenha do livro, é só clicar a q u i.

Num futuro distópico, em 2044, Wade Watts (Tye Sheridan), como o resto da humanidade, prefere a realidade virtual do jogo OASIS ao mundo real. Quando o criador do jogo, o excêntrico James Halliday (Mark Rylance) morre, os jogadores devem descobrir a chave de um quebra-cabeça diabólico para conquistar sua fortuna inestimável. Para vencer, porém, Watts terá de abandonar a existência virtual e ceder a uma vida de amor e realidade da qual sempre tentou fugir.

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Ready Player One, título original em inglês, é dirigido por Steven Spielberg, cujo próprio nome já evoca um currículo invejável. Spielberg é o nome por trás de produções como Lincoln, Ponte de Espiões, o recente The Post – Guerra Secreta, O Terminal, Prenda-me Se For Capaz. Entretanto, também é um dos maiores nomes do cinema quando tratamos da criação de uma produção que é puramente entretenimento, sem toda essa seriedade dos longas citados anteriormente. As Aventuras de Tim Tim, Hook – A Volta do Capitão Gancho e Jurassic Park, são exemplos disso.

O roteiro de Jogador Nº 1 sofreu alterações relativamente importantes em relação ao desenvolvimento de sua trama no livro e no filme. Enquanto no primeiro há um desenrolar mais lento e uma gama absurda de informações que o leitor tem que absorver, no segundo, há um desenvolvimento mais rápido, uma narrativa mais concisa, mas que não omite detalhes importantes e também não cansa o espectador. Mas há, com certeza, uma enxurrada de easter eggs que irão divertir o público durante todo o longa.

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Não há muito tempo para o tédio. Ready Player One é rápido e mantém seu público com os olhos vidrados, enquanto passa, de maneira hábil e inteligente, por referências á O Iluminado, Senhor dos Anéis, Curtindo a Vida Adoidado, Clube dos Cinco, A Lenda do Rei Arthur, De Volta para o Futuro, Matrix, Os Embalos de Sábado a noite… Sem falar em músicas e games.

Falando em games, o filme tem um visual over, que lembra mesmo um jogo de imersão.  Todo esse visual tecnológico, contrasta muito com as referências aos anos 80 e 90, época preferida de James Halliday, criador do OASIS. Os nerd’s de carteirinha com certeza irão se identificar.

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Quanto ao elenco, o destaque está para Mark Rylance, que interpreta James Halliday. O ator é conhecido por papeis em filmes como Ponte de Espiões e O Bom Gigante Amigo. Sua performance como o criador do OASIS é cômica e, em determinados momentos, muito emocionante. Vale também mencionar Ben Mendelson, o caricato e hilário vilão Nolan Sorrento, que proporciona bons momentos ao longo do filme. Tye Sheridan (o Ciclope de X-Man: Apocalipse), que interpreta Wade Watts, faz seu trabalho de forma satisfatória, mas não oferece nada muito além.

Mesmo com todos os clichês e a previsibilidade do seu roteiro, Ready Player One consegue entreter sem entediar o espectador; questiona nossa presença (e principalmente a dos mais novos) no mundo virtual e nos faz pensar em quanto vivemos lá e aqui. Steven Spielberg conseguiu atingir um público seleto. Os gamers e nerds de vinte anos atrás já estão crescidos, mas certamente vão adorar reviver um pouco daquilo que fez parte da sua infância e juventude.

Jogador Nº 1 é uma ode à cultura pop. É um jogo cinematográfico em que um espectador que vivenciou os anos 80 e 90 vai se sentir nostálgico durante boa parte do filme; e que fará os jovens dessa geração pós anos 90 entenderem toda essa aura que gira em torno dessa era de ouro que vivemos, mas que os farão rir ao ver um haddouken em uma cena de luta e a se sentirem familiarizados com toda a tecnologia exibida. Entretanto, há uma grande previsibilidade no longa, seguido de alguns clichês dignos de sessão da tarde ou de um blockbuster. Mas não há mal nisso, afinal, este deve ser um dos melhores filmes despretensiosos dessa época e, se for, então que seja um dirigido por Steven Spielberg.

Formada em gastronomia por uma universidade paulista, especialista em jornalismo cultural e uma artista por natureza. Apaixonada por livros, séries e cinema desde sempre.

Nina Xaubet – que já escreveu publicações em Cinefilando.


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