Crítica || Pantera Negra

MV5BZTBmYjY0MTQtNjQ5Yy00YTQ2LWFjMDItZjQwNDNkZWQ3NmMxXkEyXkFqcGdeQXVyNDQxNjcxNQ@@._V1_SY1000_SX1500_AL_
Compartilhar:

Pantera Negra é de arrepiar. O novo longa do universo cinematográfico da Marvel chegou com tudo aos cinemas, trazendo tudo o que os fãs dos quadrinhos, e principalmente do super herói, gostariam de ver. Estamos falando aqui de um novo rumo para o gênero super-herói. Um rumo que, verdade seja dita, somente a Marvel conseguiu manter até o presente momento com exceção, é claro, de Mulher Maravilha da DC Comics, dirigido por Patty Jenkins. Pantera Negra não é só mais um filme.

Marvel Studios' BLACK PANTHER..L to R: T'Challa/Black Panther (Chadwick Boseman) and Erik Killmonger (Michael B. Jordan)..Photo: Matt Kennedy..©Marvel Studios 2018
Marvel Studios’ BLACK PANTHER..L to R: T’Challa/Black Panther (Chadwick Boseman) and Erik Killmonger (Michael B. Jordan)..Photo: Matt Kennedy..©Marvel Studios 2018

Wakanda, a nação de T’Challa, previamente apresentado em Capitão América – Guerra Civil, é super modernahigh tech e escondida do resto da humanidade a fim de proteger o vibrannium, o metal mais forte do universo, e todo o seu modo de vida. Wakanda é o novo e o antigo unidos, uma mistura de tecnologia, tradição e ancestralidade, tudo isso, é claro, visto ao longo de todo o longa-metragem. Um balançar de ombros e quadris para mostrar as danças típicas; os trajes, mantos, colares de ossos, ornamentos para a cabeça, lenços… um figurino vistoso, bonito, tradicional e moderno; e o idioma. O filme é essencialmente falado em inglês, como era de se esperar; mas ganha o espectador ao misturar um dos muitos dialetos africanos á um inglês carregadíssimo de sotaque que demonstra o esforço do elenco para tornar tudo isso real.

Marvel Studios' BLACK PANTHER..L to R: Director Ryan Coogler on set with Chadwick Boseman (Black Panther/T'Challa) ..Ph: Matt Kennedy..©Marvel Studios 2018
Marvel Studios’ BLACK PANTHER..L to R: Director Ryan Coogler on set with Chadwick Boseman (Black Panther/T’Challa) ..Ph: Matt Kennedy..©Marvel Studios 2018

Editado, roteirizado, dirigido e estrelado por negros, o filme trás consigo um peso e uma enorme expectativa, já que Pantera Negra é o 18º filme do MCU (Marvel’s Cinematographic Universe, em inglês) e é o primeiro filme dedicado exclusivamente à um herói negro que surgiu meses antes do movimento do Partido dos Panteras Negras. Não precisamos citar o peso do elenco ou seu histórico no cinema, pois seus nomes já falam por si só. Precisamos falar sobre a representatividade em cada aspecto desse filme.

Marvel Studios' BLACK PANTHER..Center: M'Baku (Winston Duke)..Ph: Film Frame..©Marvel Studios 2018
Marvel Studios’ BLACK PANTHER..Center: M’Baku (Winston Duke)..Ph: Film Frame..©Marvel Studios 2018

Chadwick Boseman agora é o herói de muitos meninos e meninas negros espalhados pelo mundo. Não só para adolescentes e crianças, mas para os adultos também, que finalmente irão se identificar como o herói do filme, papel que vinha sendo desempenhado pelos quadrinhos desde a década de 60, em seu surgimento. É importante falarmos do trio feminino que não foi deixado em segundo plano, mas que tem um papel fundamental na trama. A representatividade ainda vai mais além ao colocar o rapper Kendrick Lamar como produtor executivo da trilha sonora. O rapper  também compôs e performou em diversas faixas do disco, que é repleto de participações. SZA, Future, The Weeknd, Schoolboy Q, 2 Chainz e James Blake são alguns dos nomes mais conhecidos. E faz mais ainda ao acrescentar a colaboração de artistas negros dos Estados Unidos, África do Sul, Etiópia, Canadá e Reino Unido.

Marvel Studios' BLACK PANTHER..L to R: Okoye (Danai Gurira) and Ayo (Florence Kasumba) with the Dora Milaje..Ph: Film Frame..©Marvel Studios 2018
Marvel Studios’ BLACK PANTHER..L to R: Okoye (Danai Gurira) and Ayo (Florence Kasumba) with the Dora Milaje..Ph: Film Frame..©Marvel Studios 2018

Em tempos onde o presidente norte-americano faz discursos racistas abertamente em sua rede social, Pantera Negra surge cheio de questões políticas, discutindo segregação racial, e fazendo uma alusão a Martin Luther King e Malcom X com a rivalidade entre T’Challa e Killmonger. Sem esquecer de menções aos refugiados e ás crianças-soldados na África.

Pantera Negra é cuidadoso ao criar dois vilões distintos. Andy Serkis, conhecido por dar vida ao Gollum, é um vilão quase caricato, exagerado, piadista e astuto. Já Killmonger (Michael B. Jordan) carrega nas costas um passado de abandono, raiva e opressão. As cenas de ação são bem elaboradas, destaque para uma cena em plano sequência dentro de um bar, entretanto não chegam a saltar aos olhos. Toda a tecnologia mostrada no longa é um show a parte e acaba destoando levemente de uma ou outra cena em chroma key.

O novo filme da Marvel é um espetáculo. Entretém, discute questões políticas, sociais e econômicas de suma importância, vêm cheio de elementos que trazem a tona a arte e cultura africana e os exaltam, dando o mundo como palco para que brilhem. Obrigada, Marvel, por esse deleite.

Formada em gastronomia por uma universidade paulista, especialista em jornalismo cultural e uma artista por natureza. Apaixonada por livros, séries e cinema desde sempre.

Nina Xaubet – que já escreveu publicações em Cinefilando.


Compartilhar:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*