Seriando || Alias Grace

Alias Grace
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Sabe quando você se arrepende de não ter visto aquele seriado antes? Pois bem. Este é o caso.

Alias Grace
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Inspirada em fatos reais,Alias Grace conta a história de Grace Marks (Sarah Gadon), uma empregada doméstica irlandesa pobre que, junto com o tratador de cavalos James McDermott (Kerr Logan), é condenada em 1843 no Canadá pelo assassinato do patrão, o fazendeiro Thomas Kinnear (Paul Gross), e da governanta Nancy Montgomery (Anna Paquin).

Alias Grace é baseado em fatos e você deve reconhecer o nome, pois ele está relacionado a The Handmaid’s Tale e Margaret Atwood, que por sinal fez de 2017 o seu ano. A minissérie possui um roteiro extremamente elaborado, com detalhes que estão intrínsecos em pequenas referências durante a narrativa e que, quando chegam ao entendimento do espectador, causam furor. A trama, ao meu ver, é tão bem trabalhada quanto uma colcha de retalhos, onde cada pedacinho necessita de uma atenção especial para que se encaixe perfeitamente. Os retalhos, neste caso, são partes do passado narradas pela personagem Grace Marks (Sarah Gadon) que contam sua história em diversos pontos de vista, não são meramente um suporte para a trama, mas uma peça essencial. E por falar em colcha de retalhos, estas ganham uma atenção especial e tem um papel importante na trama.

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A produção é tão cuidadosa, que consegue prender a atenção do espectador do início ao fim. Os personagens são extremamente cativantes e sedutores, criam uma certa aura de mistério em torno de sua própria história contada pela protagonista que se desenrola pouco a pouco, conforme os episódios avançam. Sarah Gadon, principalmente, nos apresenta uma personagem incrível, que destila sua inteligencia através de uma história cuidadosamente contada, com palavras escolhidas a dedo. A atuação de Sarah é brilhante e ela desliza pela ingenuidade de uma jovem à frieza de uma prisioneira.

A função de Alias Grace não é fornecer dados, como uma minissérie biográfica, até porque ela é apenas baseada em fatos — Grace Marks e a acusação de assassinatos são verdadeiros e todo o restante é ficcional. Contudo, a minissérie consegue brincar com a realidade e com o que é ou não verdadeiro, com o que realmente aconteceu ou deixou de acontecer. Eis que, na verdade, temos aqui uma obra tão atual quanto uma novela de horário nobre, onde se discute violência, abuso sexual e o papel da mulher na sociedade.

Alias Grace
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Alias Grace é sensacional. Do seu começo ao fim é impossível desviar atenção e não se cativar com Grace Marks e, melhor ainda, se surpreender com o seu desfecho. E que desfecho, amigos! Sugiro uma boa pipoca, uma bebida de sua preferência, um bom sofá e feliz maratona!

Formada em gastronomia por uma universidade paulista, especialista em jornalismo cultural e uma artista por natureza. Apaixonada por livros, séries e cinema desde sempre.

Nina Xaubet – que já escreveu publicações em Cinefilando.


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