Garimpos da Netflix || Um Contratempo

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Seguindo a indicação de um amigo, me aventurei em mais um suspense. Disponível na Netflix há pouquíssimo tempo, Contratiempo, no original, é um daqueles filmes em que não se pode desgrudar os olhos da tela. E para aproveitar essa segunda-feira nublada aqui em São Paulo, que tal um filme?

Tudo está indo muito bem para Adrian Doria (Mario Casas). Seu negócio é um sucesso e lhe trouxe riqueza, sua bela esposa teve a criança perfeita, e sua amante está bem com o caso dos dois escondido. Tudo está ótimo até que Doria desperta num quarto de hotel, depois de ser atingido na cabeça, e encontra sua amante morta no banheiro, coberta com um monte de notas em euros. Pior, o quarto é trancado por dentro e não tem nenhuma maneira de entrar ou sair. Com tudo o que construiu desmoronando aos seus pés, Doria recorre a melhor advogada de defesa da Espanha, Virginia Goodman (Ana Wagener), e eles tentam descobrir o que realmente aconteceu na noite anterior.

O filme é espanhol. Vamos começar por aí, porque eu adoro fugir do circuito hollywoodiano de filmes. Geralmente há uma certa tendência ao exagero, clichês ou, simplesmente, porque o cinema europeu tem muitas pérolas escondidas. Logo de cara, Contratempo impressiona por sua fotografia escura, de tons predominantemente frios e que resultam em um clima sempre tenso.

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O longa metragem foca em Dória, em sua versão da história e de como o crime aconteceu. O tempo todo a câmera está focada em pequenos detalhes, sempre centralizando o personagem e nos dizendo (sem dizer) que há algo ali. O mesmo acontece com os diálogos. Do crime central (quem matou Laura?), passamos por uma primeira morte que aconteceu meses antes e, através do encontro com a advogada e dos relatos de Dória e seus diálogos com ela, vamos recebendo mais pecas do quebra-cabeça. Ainda sim, você continua no escuro.

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O suspense tem uma certa tensão constante que não eclode em um grande susto. Somos levados o tempo inteiro através de um enredo que brinca com verdades e mentiras e, consequentemente, somos surpreendidos com um final arrasador. A atuação de Mario Casas é maravilhosa. Já vi outros dois trabalhos do ator espanhol e um deles está na Netflix (e eu super recomendo!), que se chama: Palmeiras de Las Nieves*. Ana Wagener é outra maravilha deste longa e, sem dúvida, é a que desponta em atuação (e se vocês assistirem, no final vão saber o porquê).

Contratempo é magnífico. Não precisa de cenas de ação, grandes efeitos especiais e qualquer outro artifício para criar uma grande obra. Há apenas uma trama bem trabalhada, uma direção detalhista e um elenco incrível que resultam em um final que deixa todos os espectadores de queixo caído.

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Formada em gastronomia por uma universidade paulista, especialista em jornalismo cultural e uma artista por natureza. Apaixonada por livros, séries e cinema desde sempre.

Nina Xaubet – que já escreveu publicações em Cinefilando.


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