Estante do Sales || A Morte Te Dá Parabéns

morte-te-da-parabens
Compartilhar:

amorte

A princípio, o detalhe de A Morte Te Dá Parabéns que ganhou a minha atenção, sem dúvidas, foi a tripla comparação com os ótimos Feitiço No Tempo, Pânico e o divertido Meninas MalvadasDecerto o filme dirigido por Christopher Landon bebe de todas essas fontes, deixando em evidência as suas inspirações. Ele pode até não ser tão genial quanto aos dois primeiros filmes citados, contudo, é um exemplar divertido do terror, dos slasher movies, e busca sair um pouco da mesmice encontrada dentro deste subgênero, em decadência nas últimas décadas. Será que consegue?

Scott Lobdell assina o roteiro que traz a protagonista Tree, bem interpretada pela atriz Jessica Rothe, um estereótipo da universitária norte americana egoísta e insensível. Ela encontra-se presa num loop temporal, revivendo o dia de seu assassinato em busca de solucioná-lo.  O enredo têm no humor um dos pontos mais acertados dentro do longa, não se levando a sério todo o tempo e evitando o uso apenas da sanguinolência para entreter. Essa é uma das comparações mais próximas que podemos fazer em relação a Pânico, Lobdell e Landon flertam bastante com a metalinguagem apresentada na genial franquia de Wes Craven. Porém, nem tudo são flores.

A Morte Te Dá Parabéns perde-se em algumas sequências abandonando sua construção inicial — uma pena! —, e assim rende-se aos clichês de inúmeros filmes que se levam a sério demais. O roteiro apresenta alguns furos, muito embora sejam incapazes de afetar o andamento de maneira irreversível, causam certa confusão devido a falta de explicações. Por exemplo, quando a personagem Tree descobre efeitos nocivos em seu corpo, advindos dos assassinatos e do loop temporal, esperamos mais respostas, mas temos apenas um único propósito: mostrar que ela não tem todo o tempo do mundo para resolver o mistério, sem maiores detalhes, jogado dentro da narrativa. Assim como o que levou a personagem a ficar presa dentro do loop temporal — não chegamos nem perto de descobrir isso. Sem muito esforço, não tarda até desvendarmos todo o mistério de quem está por trás da máscara também.     

Se o roteiro possui suas falhas, a direção de Landon trabalha bem, embora não se arrisque muito. Ele consegue utilizar os clichês do gênero de forma a contribuir com a trama enquanto os satiriza de tão óbvios que são.  Aqui, encontrei o charme que tanto me agradou na franquia Pânico em uma escala menor.

morte-te-da-parabens

Volto agora para a atriz Jessica Rothe (uma scream queen da nova geração? Será?). A personagem Tree é uma das inúmeras versões de Regina George que vemos por aí, no entanto, o diferencial aqui é a sua evolução dentro da trama, apresentando um crescimento pessoal interessante de acompanhar. Rothe atua de acordo com a necessidade do roteiro, oferecendo carisma e desenvoltura à personagem, até mesmo caindo em piadas ridículas forçadas por Lobdell. Algumas sequências, em contrapartida, são impagáveis, capazes de arrancar risos sinceros dos espectadores.

Apesar de seus pequenos tropeços o longa mostra-se divertido, e em boa parte até mesmo honesto por abordar uma proposta mais cômica, embora isso seja perdido durante a projeção, como já dito.  Para os orfãos de Pânico — como eu — e dos filmes slasher, que tiveram seu auge no fim dos anos 90 e início dos 00, A Morte Te Dá Parabéns é um sopro de nostalgia e vida ao subgênero. Vale a pena dar uma espiada nele e se divertir.

Escritor e estudante de Letras. Corredor de rua e fotógrafo nas horas vagas. Fã de pop-punk e filmes de terror.

Hugo Sales – que já escreveu publicações em Cinefilando.


Compartilhar:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*