Crítica || Bingo – O Rei das Manhãs

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Bingo – O Rei das Manhãs é um filme que choca. Se você procura ver um filme inspirado numa emocionante história real e acredita que a vida por trás da máscara do palhaço Bozo era “só alegria”, então pare por aqui.

Bingo é inspirado em fatos e nos conta um pouco do que Arlindo Barreto, o Bozo, passou durante os anos que em que encarnou o palhaço em seu programa de TV. Com ar bem anos 80, uma trilha sonora sen-sa-cio-nal e uma direção de arte muito cuidadosa, Bingo e seu intérprete. Vladimir Brichta, vieram para chocar e nos dar um show de atuação.

Augusto Mentes (Vladimir) é um ator de pornochanchadas que fazia tudo para que o filho pudesse se orgulhar dele, assim como para deixar a mãe, uma antiga atriz, também orgulhosa de sua carreira. O filme é inspirado na vida de Arilndo Barreto, mas fez um bom uso de licença poética para poder tornar a trama interessante aos olhos do espectador, dando fluidez no roteiro e na sua montagem.

Emanuele Araúdo interpreta Gretchen. Se você sabe
Emanuele Araúdo interpreta Gretchen. Se você sabe “conga, conga, conga” da Gretchen, provavelmente é por causa disso.

Vladimir está incrível. E não vou cansar de repetir isso ao longo desse texto, mas ele consegue expressar muito bem a dualidade de sua vida sendo Bingo, um palhaço famoso e que se torna líder de audiência, batendo inclusive a rede Mundial (analogia para a Globo), mas que ao mesmo tempo tem que lidar com o fato de ser um famoso anônimo, já que sua identidade não poderia ser revelada em momento algum. E é justamente o por trás da máscara que torna este um longa intenso.

O diretor, Daniel Rezende, usa de planos sequencia longos, que passeiam através da cidade e indicam uma passagem de tempo. Também faz uso de alguns desfoques de câmera e posições que deixam o ator ora em primeiro plano, ora em segundo plano, para ilustrar seu distanciamento de familiares e do restante de sua vida. As tiradas cômicas estão presentes durante toda a trama, mas entram em momentos bem precisos, sem deixar que o ritmo diminua. Junto á Bingo/Augusto está Lúcia, interpretada por Leandra Leal, uma personagem religiosa que mantém sua posição firme durante toda a trama e não se torna uma caricatura típica que escracha com a religião. Lúcia é a diretora do programa do Bingo, mantém todos numa rédea curta e começa a lidar com um dilema pessoal quando conhece Augusto: ele tão escrachado e ela tão contida.

Bingo – O Rei das Manhãs é a ascensão e queda de um personagem icônico da TV. Um passeio que percorre altos e muitos baixos, com cenas pesadas, boas risadas e muito drama. Vladimir nos apresenta um palhaço que vive entre dois mundos e que, na verdade, acaba sendo engolido pelos dois. Bingo é o filme que quebra com o paradigma de que “filmes nacionais são ruins”; na verdade é uma prova concreta de que uma boa direção, atuação, estética e trilha sonora podem vir de um filme nacional.

Formada em gastronomia por uma universidade paulista, especialista em jornalismo cultural e uma artista por natureza. Apaixonada por livros, séries e cinema desde sempre.

Nina Xaubet – que já escreveu publicações em Cinefilando.


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