Literando || D. Leopoldina – A história não contata

D. Leopoldina
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A mulher que arquitetou a Independência do Brasil

Fui testemunha ocular e posso asseverar aos contemporâneos que a princesa Leopoldina cooperou vivamente dentro e fora do país para a independência do Brasil. Debaixo deste ponto de vista o Brasil deve à sua memória gratidão eterna. Conselheiro Antonio de Meneses Vasconcelos de Drummond.

Fiquei com certo receio de terminar esta leitura. Não por ser o fim dela, porque toda leitura eventualmente chega ao fim; nem por saber que dentro de poucas páginas eu finalmente leria sobre o falecimento da Imperatriz, até porque isso não é um spoiler, não é mesmo?; mas porque dentro de pouquíssimos capítulos, eu acabaria por entender todo o contexto em torno da vida da Imperatriz e, de certa forma, isso não tornava minha leitura mais feliz.

Paulo Rezzuti é o autor dessa obra maravilhosa. O livro nos dá um novo olhar sobre a vida de Leopoldina Carolina Josefa de Habsburgo-Lorena, arquiduquesa da Áustria e Imperatriz consorte do Brasil, a mulher que ajudou (e muito!!) na concepção de uma ideia de independência do Brasil e na sua execução. Neste livro, Maria Leopoldina, é apresentada aos seus leitores como uma personagem histórica inteiramente nova, muito diferente do que a escola nos ensina.

Antes de começar a falar sobre a imperatriz, o autor nos dá os antecedentes necessários para entendê-la. Contando partes da história do surgimento dos Habsburgos e o que os levou a serem uma poderosa dinastia. Através destes fatores, ele percorre fatos sobre Francisco I e Maria Tereza, imperadores da Austria, bem como os inúmeros casamentos por interesse da familia Habsburgo. O mais citado, dentre todos, é o de Maria Luisa da Áustria, irmã de Leopoldina, que fora casada com Napoleão Bonaparte e manteve contato com sua irmã durante toda sua vida.

Leopoldina é uma personagem que foi criada para ser uma estadista. Cultissima, inteligente, poliglota e interessada por diversos assuntos, a arquiduquesa sempre fora ciente do seu destino: um casamento por interesse que favoreceria seu país. Casamento este que seria realizado por procuração, onde a arquiduquesa casaria com o príncipe herdeiro do trono português e, futuramente, imperador do Brasil. Em D. Leopoldina – A história não Contada, passamos a ser espectadores da vida na corte de Viena e do Brasil/Portugal. Somos um público que observa, silencioso, o passar dos anos e da absurda submissão de Leopoldina para com Dom Pedro I. Conhecemos várias facetas dessa imperatriz. Aquela mulher gentil e boa para seus súditos, a Leopoldina esposa, a Leopoldina mãe, a irmã, a política, a sofredora.

Por fim, foi uma leitura ótima mas nada agradável quando se reflete sobre uma vida reduzida a submissão, onde seu verdadeiro eu, sua real forma de pensar deveria ser “contida”, onde o fim não seria diferente de um fim triste. Paulo Rezzuti nos faz conhecer uma Leopoldina a frente do seu tempo, culta demais para a corte portuguesa e brasileira, inteligente demais para Dom Pedro I, estadista demais e boa demais para uma política que já era corrompida. Mas mesmo assim, aproveitei cada página e pude ver com outros olhos a corte européia, a portuguesa e brasileira, assim como entendi a adoração por essa adorável imperatriz. Após a morte de Leopoldina, Dom Pedro ressentiu-se pelo resto de seus dias, por amor ou por culpa, ninguém sabe.

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Formada em gastronomia por uma universidade paulista, especialista em jornalismo cultural e uma artista por natureza. Apaixonada por livros, séries e cinema desde sempre.

Nina Xaubet – que já escreveu publicações em Cinefilando.


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