Literando || Perguntem a Sarah Gross

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Sobre julgar um livro pela capa: o fiz, e com gosto. Uma capa delicada, a não ser por uma insígnia nazista que se encontra no topo. A sinopse é tão intrigante quanto a própria capa e, assim, a editora Leya me enviou este exemplar.

Sinopse: Um mistério que remonta ao mais terrível dos locais: Auschwitz. Em 1968, a jovem professora Kimberly Parker atravessa os Estados Unidos para ensinar no colégio mais elitista da Nova Inglaterra, dirigido por Sarah Gross, uma mulher carismática e misteriosa. Ela foge de um segredo terrível e procura paz em St. Oswald?s. Mas uma tragédia abala inesperadamente a instituição centenária, abrindo as portas de um passado avassalador. Nos corredores da universidade ou no apertado gueto de Cracóvia; nos campos de Auschwitz (quando ali ainda existia uma cidade), Kimberly mergulha numa historia brutal de dor e sobrevivência para a qual ninguém a preparou. Rigoroso, imaginativo e cinematográfico, Perguntem a Sarah Gross é um romance que nos leva ao local que se tornou o mais famoso campo de extermínio da história. Obra finalista do premio LeYa, em 2014.

Dados do livro:
Páginas: 384
ISBN: 9788544103494
1.ª edição: 2016-12-01
Preço: 54,90

A priori, foi uma leitura um pouco mais difícil do que o usual devido ao português um pouco mais rebuscado, já que o escritor tem suas origens portuguesas. Contudo, apesar de ter sido uma leitura mais lenta que o normal e de ter encontrado palavras bem pouco usuais ao nosso dia-a-dia, foi imensamente prazerosa.

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João Pinto Coelho inicia sua narrativa nos apresentando sua protagonista, Mrs. Kimberly Parker, nos dias atuais contando a história de sua vida. Sendo assim, o autor divide sua história em três pontos de vista diferentes: um desconhecido; outro que se passa em 1968, ano em que Kimberly Parker reside na escola de St. Oswald; e por fim, outro que se inicia em 1924 e vai até 1945 na Polônia. Apesar de parecer confuso, a história se encaixa perfeitamente e não são necessários maiores esforços para entender o que está acontecendo. Mas este não é o ponto alto.

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Perguntem a Sarah Gross é difinitivamente sobre uma protagonista que quase não é vista. Sua presença é sempre quase que etérea e permanece na imaginação do leitor como um ser superior. Sarah Gross só é conhecida pelo leitor a partir da metade do livro, quando pedaços de sua personalidade e origens começam a fazer sentido, entretanto, é no final que entendemos a força dessa personagem e de toda sua trajetória através de uma Polônia devastada pela segunda guerra mundial.

Com uma narrativa que leva o leitor diretamente para o meio de um dos mais famosos campos de concentração, a trama segue um ritmo eletrizante e que deixa seu espectador ávido para um final. Sem desapontar, João Pinto Coelho consegue surpreender-nos ainda mais com uma reviravolta chocante e com cenas emocionantes. Perguntem a Sarah Gross exige que seu leitor esteja atento à leitura, mas não decepciona com seu linguajar rebuscado e nem com os termos polacos; contudo, nos surpreende ao apresentar uma história maravilhosa e muito tocante sobre uma cultura e um povo que teve parte de suas origens destruídas pela ambição humana.

Nota: 5/5 || Onde comprar

Formada em gastronomia por uma universidade paulista, especialista em jornalismo cultural e uma artista por natureza. Apaixonada por livros, séries e cinema desde sempre.

Nina Xaubet – que já escreveu publicações em Cinefilando.


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