Crítica || Moonlight – Sob a Luz do Luar

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As primeiras palavras que me vem a mente quando se trata de Moonlight é: solidão, amadurecimento e autoconhecimento. Entretanto, acredito que tais palavras não sejam suficientes para descrever um filme tão complexo quanto este.

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Moonlight é adaptado de uma peça de Tarell Alvin McCraney, um dramaturgo norte-americano que é o atual presidente da Yale School of Drama, da Universidade de Yale, cujo título original é:  “In Moonlight Black Boys Look Blue”, numa tradução livre seria “Sob a Luz do Luar Garotos Negros são Azuis”. Tirado das memórias de Tarell sobre sua própria busca por identidade como o jovem esquisito de um bairro pobre de Miami, “Moonlight” conta a história de do jovem Chiron, que apesar de perder a atenção da mãe para o crack, ganha (de maneira irônica) a proteção e atenção de um traficante local e sua namorada (Janelle Monáe).

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Essencialmente, Moonlight é um filme que não exige muito do espectador em termos de complexidade em sua trama, afinal tem um roteiro claro e direto. Contudo, é uma trama simples desenvolvida em quase duas horas de duração que não são fáceis de assistir, principalmente pelo fato de que não existe um climax (da maneira como estamos acostumados). Ao utilizar uma paleta de cores frias e claras para retratar um bairro pobre e violento de Miami, o filme ganha uma aura triste e melancólica, que desperta um sentimento de solidão constante.

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Porém, apesar de tudo, ainda há uma certa suavidade em todo o longa metragem. Não existem atuações exageradas e nem surtos clichês típicos de produções americanas. Pelo contrário,  há poucos diálogos e um silêncio quase constante em todo o longa, colocando em foco os atores responsáveis pelas três fases da vida de Chiron.

Moonlight não é sobre bullying, mas sim sobre crescimento e amadurecimento. É um filme de jornada solitária, sobre a vida de um garoto negro, gay e que vive em um bairro pobre, sem poder contar com o afeto da mãe. Há uma tensão constante e um sentimento de frustração que prendem o espectador do início ao fim. É suave e belo. Franco e dramático.

Nota: 4/5

Formada em gastronomia por uma universidade paulista, especialista em jornalismo cultural e uma artista por natureza. Apaixonada por livros, séries e cinema desde sempre.

Nina Xaubet – que já escreveu publicações em Cinefilando.


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