Crítica || Sully

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Ir ao cinema é sempre uma experiência diferente, é sempre um novo mundo, uma nova porta, uma vida diferente que iremos conhecer. É um acontecimento. E eis que a primeira vez que fui ao cinema, com 9 ou 10 anos, foi para assistir Náufrago, estrelado por Tom Hanks que, até então, era conhecido mais conhecido por Forest Gump, do que por outros filmes. Náufrago, para uma criança de 10 anos foi uma grande experiência; tal que nunca me esqueci e que detalhes muito específicos daquele dia ainda me vem a mente. E assistir Sully, foi mais ou menos assim. Um filme com uma temática similar, mesmo protagonista e com uma diferença de 16 anos.

Sully é dirigido por Clint Eastwood e narra a história do comandante Chelsey “Sully” Sullenberguer e de seu co-piloto Jeff Skies, que fazem uma manobra arriscada para pousar o avião quando este perde seus dois motores.  O longa não está interessando em mostrar os momentos de agonia dos passageiros ou a tensão do comandante durante a queda, como alguns filmes que abordam essa temática costumam mostrar.

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Clint é feliz ao escalar Tom Hanks para o papel do protagonista. O ator aparece de cabelos grisalhos, com uma aparência humana, quase delicada, de um comandante experiente e que tem problemas ao lidar com o “heróismo” e com o trauma recente. O Sully de Tom Hanks ganha a simpatia imediata do público. Ainda há o fator roteiro, que o diretor explorou de pontos de vistas diversos e nos deu uma gama de pareceres diferentes sobre o acontecimento do Rio Hudson,  sem explorar de maneira exaustiva uma única cena. Embora seja um acontecimento que forneça um roteiro raso, Sully foca na investigação do comandante e de seu co-piloto, fornecendo fragmentos de cenas que, somente na metade do filme, é que serão exibidas por completo em uma sequencia técnica excelente e tirar o fôlego.

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O longa, em sua maior parte, desperta certa frieza no espectador que se questiona sobre a frieza do próprio comandante em uma situação dessas. Entretanto, sem apelar para sentimentalismo barato e drama exagerado, Clint Eastwood consegue a merecida atenção ao nos entregar uma sequencia emocionante de passageiros sobre as asas do avião (que está sobre o Rio Hudson), somada a uma trilha sonora instrumental maravilhosa e “tocante”.

Se “Sully – O Herói do Rio Hudson” fosse com qualquer outro ator, talvez não teria tido o mesmo sucesso. Entretanto, Tom Hanks entrega um personagem humano e cativante, mais um para sua lista de incríveis atuações. São 96 minutos de um longa interessante, o menor na carreira do diretor, mas que foi muito bem trabalhado.

Imagens: ComingSoon.net

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Formada em gastronomia por uma universidade paulista, especialista em jornalismo cultural e uma artista por natureza. Apaixonada por livros, séries e cinema desde sempre.

Nina Xaubet – que já escreveu publicações em Cinefilando.


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