Literando || O Mago de Camelot

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Sobre a edição:

A capa tem o título, subtítulo e nome do autor com um leve relevo. A arte condiz totalmente com a história e está linda, ao mesmo tempo que discreta. Em releção á diagramação e os constantes problemas de revisão que tenho comentado (e visto) em outros livros, não encontrei neste e, acredito muito que deve-se a experiência do autor.

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Sobre a obra:

O livro conta a história de Merlin, um menino cuja mãe era uma prostituta e que é levado por um druida, para que aprenda os ensinamentos pagãos e possa cumprir uma profecia. Mas ao passo que Merlin cresce e aprende tudo o que seu mestre druída tem para lhe ensinar, ele vai alimentando um desejo de vingança e, usa tudo o que aprendeu para seu próprio belprazer. Aos poucos, Merlin vai ingressando numa batalha sangrenta entre reis, druídas e feiticeiros, e, aos poucos, vai definindo para sempre o destino da Britânia.

“E, em seu assombro, eles espalhariam o mito da mulher carregada ao fundo do oceano pelas brumas da Ilha das Maçãs. E chamaram-na de Dama do Lago, a morta de Avalon, senhora do mar e do lago de névoas.
E nenhum forasteiro tornaria a se aproximar de Avalon, o santuário proibído dos druidas.”

Comecei a ler O Mago de Camelot e tive a ligeira impressão de que eu estava lendo As Brumas de Avalon, uma série de livros da autora Marion Zimmer Bradley, porém, logo no primeiro capitulo essa concepção mudou, embora eu sempre estivesse com aquela vozinha no fundo da mente que dizia: “você conhece esta história”. Mas para diferenciar, vou explicar: na obra “As Brumas de Avalon”, vemos através dos olhos de Morgana, a saga das sacerdotisas da ilha para salvarem a ilha e sua religião. Ao passo que nesta história, vemos através dos olhos de Merlin, um mago movido pelo desejo de vingança, uma guerra entre saxões e bretões que vai resultar num destino inimaginável para a Britânia.

Tudo o que já li se difere deste livro. Aqui o leitor é levado numa leitura envolvente e interessante, através de um narrador onisciente e onipresente, para o século V, nos primórdios da Inglaterra, quando esta ainda era chamada Britânia Romana e, então, levado para duzentos anos mais tarde, onde a história de fato se desenvolve. A linguagem é bem tranquila, compreensível, embora possuam palavras um pouco mais rebuscadas, afinal, uma obra épica requer isso em primeiro plano. Também merece destaque, os detalhes da trama, desde a lama e a sujeira da época, até as cenas mais sangrentas e movimentadas; o autor não nos poupa dos detalhes da guerra e de descrições realistas do modo de viva na baixa idade média.

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A Saga de Merlin Para Coroar um Dragão é sobre a vingança de Merlin, seus planos, suas falhas e sobre as conseqüências que o sucedem. Talvez seja a forma mais realista (em alguns aspectos) que foi escrita até o presente momento. Retratar Merlin como um filho de uma prostituta e como um homem rancoroso, assim como retratar Morgana como uma pessoa má, apenas sugere que isso (ser rancoroso, mal) é apenas uma consequencia de atitudes do ser humano. E algo em comum que esta obra tem em relação a “As Brumas de Avalon” (além de alguns personagens), é justamente isso: as consequencias de atitudes do homem; a objetificação da mulher e suas funções; bem como o choque entre duas culturas (o paganismo dos druídas e o cristianismo). E artifícios mágicos a parte, este livro retrata muito bem este aspecto da sociedade humana e o mescla de uma forma menos fantasiosa (repito: artifícios mágicos a parte) com a tão conhecida lenda do Rei Arthur.

“E os druidas lembraram-se da revelação contida no sangue de Nennius. E, mais do que nunca, temeram os ditames férreos da profecia sobre o futuro de Merlin.”

De fato, foi o livro que mais me empolguei a ler, tanto pelo plano de fundo histórico, quanto pela lenda do mago Merlin e dos contos do rei Arthur. A leitura é realmente agradável e nos transporta para uma época de degradação humana, trevas e conflitos de interesse.

Formada em gastronomia por uma universidade paulista, especialista em jornalismo cultural e uma artista por natureza. Apaixonada por livros, séries e cinema desde sempre.

Nina Xaubet – que já escreveu publicações em Cinefilando.


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