Literando || Névoa (Alice Von Amerling)

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Dados do Livro

Páginas: 612
Edição: 1ª
Preço: R$ 54,90
ISBN: 978-85-8013-248-9
Categoria: Ficção Brasileira

Sinopse: Anna Christie nasceu na Inglaterra do século XVIII, e viveu em vários lugares, em diferentes épocas, esteve na Londres vitoriana de Charles Dickens, na França da célebre Sarah Bernhardt, e na América de Truman Capote. Anna é uma vampira de mais de dois séculos, cujo passado a tornou miserável, e o medo de executar os mesmos erros a persegue. Comete várias digressões, é existencialista, insensível, individualista, e nutre profunda aversão à espécie humana, contudo, ninguém é perfeito. Não aceita que exista num mundo onde se esqueceram da arte das estrelas, mas compreendeu que tudo acaba, pessoas nascem e morrem, e que o show deve continuar. Nessas circunstâncias dois amigos a convencem a voltar a estudar, frequentará uma Instituição Educacional em Londres a contragosto, e terá que se mudar assim que o número de desparecidos seja grande o suficiente para ganhar as manchetes dos jornais. Querem que conviva com pessoas, pois acreditam que seja um estímulo a mudança, mas pessoas para ela não passam de comida. Num fim de tarde, depara-se com uma notícia que beira o absurdo aos olhos de qualquer um, mas estranhamente se identifica, e decide investigar, o que trará sérias consequências. 

 O veneno brincava com minha alma como se esta fosse descartável.

Sobre a Edição:

Névoa tem uma belíssima edição. A capa é linda, consegue atrair a atenção do leitor e, se olhar mais atentamente, consegue notar através das bordas, que se trata de um rolo de filmes. O Branco e o preto, com destaque apenas para o título em vermelho, dão um aspecto gótico e sombrio, juntamente com a arte. A parte interna do livro também muito bem feita, não encontrei quaisquer erros de diagramação, com a exceção de pouquíssimos erros de digitação, mas que em nenhum momento interferem na leitura. 

“Pessoas convivem com outras pessoas para ter a ilusão de não estão sozinhas, pois a verdade é que todos nascem e morrem sozinhos. Além disso, a convivência em longo prazo, diria, com terceiros, faz com que qualquer ser humano sinta em relação a eles tédio.”

Sobre o Livro: 

 Em Névoa, conhecemos Anna, uma vampira excêntrica de pouco mais de dois séculos de idade. Eu usaria o termo antiga, para descrevê-la, mas antiquada se enquadra muito melhor nas descrições da personagem. Ela é extremamente introspectiva e, como eu, amante do cinema. Gosta dos clássicos da sétima arte e defende com unhas e dentes seus favoritos. Anna, também, acaba por sair do isolamento e matricula-se numa escola, a pedido de seus amigos. Mesmo contra a sua vontade, ela acaba por enturmar-se e envolver-se num relacionamento com um colega.

A trama de Névoa, justamente por tratar de filmes e clássicos antigos, foi o que me atraiu a princípio. Gostei da forma como a autora descreve certos detalhes, mesclando-os em determinados momentos, com algum devaneio ou lembrança ou uma cena de um filme. Em contrapartida, algumas descrições ficaram detalhadas demais. Mas claramente, nota-se que a autora realmente aprecia os clássicos do cinema e, de fato, entende a importância do cinema (e da arte em si) na humanidade. Eu vejo a personagem Anna como uma extensão, ou por que não, como uma parte da própria autora, pois durante todo o livro, deparei-me com uma sensação de nostalgia; tal fato tornou a leitura agradável em determinados momentos.

 Mas falando como cinéfila, eu confesso, não assisti á todos os clássicos antigos. Tive o prazer de assistir alguns com Norma Shearer (Maria Antonieta); outros mais voltados para a comédia, como os filmes estrelados por Jerry Lewis; e entre outros. Acabo por me considerar uma cinéfila de épicos, pois é meu gênero preferido. Contudo, a autora comenta a maioria dos grandes clássicos em praticamente cem por cento da trama; sempre lembrando-se de fazer alguma referência á filmes antigos ou algum atual. E é justamente por conter spoilers de muitos filmes que não vi, que não gostei. Acredito que é possível discorrer sobre o filme, sem liberar spoilers.  No geral, gostei da forma como a trama se desenvolve. Seu desenrolar é gradual e os personagens vão melhorando a cada página. Salvo as exceções que disse acima (spoilers, detalhes em excesso), tenho apenas mais uma consideração: Eu entendo toda crise existencialista pela qual a personagem se coloca, e também entendo que ela não suporta a raça humana; mas qual o sentido de não suportar a raça humana, se ela também já foi (ou é, de certa forma)?

#Classificação: 3/5 

“Num dia como esse, há mais tempo do que tenho coragem de confessar, foi o incio de um fim, ou o fim do incio, pode escolher se isso deixar mais confortável.”


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Formada em gastronomia por uma universidade paulista, especialista em jornalismo cultural e uma artista por natureza. Apaixonada por livros, séries e cinema desde sempre.

Nina Xaubet – que já escreveu publicações em Cinefilando.


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