Cinefilando Crítica: Motoqueiro Fantasma 2 – O Espírito da Vingança

Motoqueiro Fantasma 2 – O Espírito da Vingança

(Ghost Rider: The Spirit of Vengeance)

Ano: 2012

Gênero: ação

Mídia: cinema

 

Em 2007 vimos a transcrição de um personagem, muito querido pelos amantes de quadrinhos, para o cinema. Vimos e nos decepcionamos, cinco anos após o primeiro filme Nicolas Cage (Reféns, 2011) volta a interpretar Johnny Blaze, o Motoqueiro Fantasma.

Johnny Blaze está nos confins da Europa, buscando isolamento do mundo, pois sabe o tamanho de sua maldição, recebe a inesperada visita do Moreau – Idris Elba, Thor (2011) – um padre que está em busca de Nadya – Violante Placido, Um Homem Misterioso (2010) – e seu filho Danny – Fergus Riordan , Terror em Mercy Falls (2005) – , o padre promete tirar a maldição do Motoqueiro de Blaze caso ele consiga ajudar mãe e filho escapar de Roarke - Ciarán Hinds, O Ritual (2011) -, demônio “pai” de Danny que o quer transformar no Anti-Cristo.

Nesta sequencia foi chamado para escrever a história David S. Goyer, roteirista que ficou famoso com os sucessos Batman: Begins (2005) e Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008). Goyer antes do lançamento afirmou que o filme seria mais obscuro e realista que o primeiro (não que isso seja algo difícil de realizar), visualmente podemos confirmar a sua afirmação, porém o roteiro – sua responsabilidade –  ficou longe disto. Se os produtores investiram em um roteirista famoso, resolveram economizar no diretor, na verdade na dupla de diretores, Mark Neveldine e Brian Taylor ambos trabalharam apenas em Adrenalina 1 e 2 (2006 e 2008) além de Gamer (2009).

A necessidade de economizar fica clara quando comparamos os orçamentos, MF2 teve um orçamento de 57 milhões de dólares, contra 110 milhões do primeiro. Pelo visto nem mesmo os executivos da poderosa Sony levavam fé no projeto.

Se a escolha dos diretores deixaram os fans do personagem com “um pé atrás”, o anuncio de que o filme manteria a classificação do primeiro filme PG13 -desaconselhável a menores de 13 anos, uso de violência e coisas do tipo de maneira moderada – foi o estopim para a total falta de crédito para o novo longa. Esse descrédito se refletiu na bilheteria do fim de semana de lançamento, vejamos a comparação (fonte BoxOfficeMojo):

Com um decréscimo de apenas 12% no número de salas de exibição Motoqueiro Fantasma 2 arrecadou menos da metade que o primeiro filme, se avaliarmos que esta primeira semana americana é o balizador para saber se um filme vai fazer sucesso ou não, fica claro que a obra foi um desastre.

Mas o filme é realmente ruim? Ou apenas o público foi assistir os concorrentes ao Oscar?

É ruim. Mais do que ruim, é um filme com pouco se não nada de criatividade e originalidade, parecendo mais um apanhado de histórias combinadas e jogadas na tela.

Porque é ruim?

Muitos acham que originalidade no cinema moderno é quase impossível, muito menos no cinema de ação, eu discordo. Este tipo de afirmação é contrariado por filmes como Cisne Negro (2010), Meia-Noite em Paris (2011) ou A Pele que Habito (2011), ou seja, é possível sim originalidade no cinema. O que Motoqueiro Fantasma 2 faz é uma cocha de retalhos com alguns filmes e o resultado é péssimo.

O filme parece uma cópia malfeita de Exterminador do Futuro 2 (1991), a mesma dinâmica do anti-herói ajudando mãe e filho a fugir do vilão, mas se isso era uma novidade na década de 90 hoje (mais de 20 anos depois) não é mais.

A execução do filme é cheia de clichês, com piadas injustificáveis e forçadas. Visualmente o Motoqueiro está muito mais agressivo, sua figura ficou mais “suja” e agressiva, porém sua transformação é digna de Jim Carrey em O Máscara (1994), sinceramente a primeira vez que Blaze se transforma é um momento vergonha alheia total. Mas nada supera o Motoqueiro Fantasma mijando, se no trailer foi ridículo e muitos acreditavam que graças reações negativas do publico seria retirado do filme, foi feito exatamente o contrário a cena bizarra foi mostrada duas vezes, simplesmente para tentar ser engraçadinho!

Falta de carisma dos atores e péssimas atuações, principalmente do pequeno Fergus que não convence ninguém, uma história completamente previsível e um final digno da Disney, mostra que em quanto os produtores tratarem Motoqueiro Fantasma como coisa de criança a franquia tende a figurar entre os grandes fracassos das HQs no cinema.

Nota: 5,8