Opinião: Não assista A Árvore da Vida

Não assista A Árvore da Vida

A afirmação acima pode trazer muitos sentimentos às pessoas que já assistiram ao filme, alguns discordando e muitos concordando de forma efusiva. Este texto não é uma crítica sobre A Árvore da Vida, é uma tentativa de responder por que um filme mexe tanto com as pessoas.

O filme

Um dos filmes mais aguardados do ano, com estrelas como Brad Pitt e Sean Pen, A Árvore da Vida teve uma grande distribuição pelo mundo e até mesmo no Brasil, sendo exibido até mesmo em redes multiplex. A crítica especializada declarou elogios e mais elogios para o filme, indicando-o como forte concorrente ao Oscar 2012. Todo este contexto gerou um grande hype ao redor do filme, o que elevou a expectativa do público, levando muita gente para os cinemas, mas o que as pessoas não sabiam – ou não entenderam – é que A Árvore da Vida é um filme de arte que requer um olhar um pouco mais apurado.

As principais críticas disparadas por blogs, twitters, facebooks e etc, ocorreram pelo fato do filme tem uma linguagem lenta e cheia de imagens no estilo “Discovery channel”. Parece-me que este tipo de opinião acontece pela falta de paciência do publico para contemplar belas imagens. A Árvore da Vida é um banquete de imagens incrivelmente bonitas do nosso planeta, e dos seres humanos. Do meu ponto de vista, o diretor e roterista Terence Marick (Além da Linha Vermelha, 1998) tenta mostrar a beleza que não conseguimos enxergar em razão da loucura da vida moderna, e faz isso com maestria. Uma das mais belas fotografias já realizadas para o cinema.

Zumbis no cinema

O mundo frenético em que vivemos tornou boa parte das pessoas em zumbis acéfalos, sedentos pelo entretenimento simples e direcionado. Poucos desejam filmes onde seja necessário refletir mais do que 2 segundos.  Elas querem explosões, romance barato e histórias óbvias.

Essa força “emburrecedora” empurra cada dia mais as produções de arte e independentes para as sombras. Vemos dia a dia uma diminuição dos cinemas que exibem obras artísticas no Brasil. Em SP, por exemplo, temos a concentração destes cinemas apenas na região da Avenida Paulista, o restante fora deste eixo ou fecharam ou mudaram de foco. Como o cine Tam, dentro do Morumbi Shopping – zona sul da capital paulista – o cinema há cerca de três anos concentrava em suas salas a exibição de filmes indepentendes, europeus e de arte, porém hoje (26/out/2011) temos a seguinte programação:

Amizade Colorida, comédia romântica óbvia.

Eu Queria Ter a Sua Vida, mais um filme de troca de vida, roteiro mais do que óbvio.

Gigantes de Aço, bom filme de ação.

Os Três Mosqueteiros, ação comercial.

O Zelador Animal, comédia babaca.

Conclusão, menos um cinema que pode proporcionar uma nova experiência as pessoas, sem se esquecer de que no lado oposto ao shopping que comporta este cinema, há um multiplex, com programação idêntica.

Os cinemas estão errados em desistir de exibir filmes que saiam do óbvio? A resposta é clara…

Entramos em ciclo vicioso onde a cada dia temos menos obras que saiam do comum e mais público que não possuem “paciência” para este tipo de filme.

Deus não!

Outro ponto crucial pela ojeriza das pessoas pelo filme, seja o fato da religião ser uma constante durante todo o tempo, a hipocrisia humana é incrível, citar Deus, Jesus e etc é algo corriqueiro para a maioria da população, mas quando um ponto de vista é abordado sem prévio aviso, as pessoas se sentem invadidas. Discordo que seja um filme sobre crenças religiosas, ao meu entender é um filme que tenta mostrar a beleza do mundo, a beleza da vida, a importância da família e como não passamos de um grão de areia, mas cada grão de areia pode fazer a diferença para o bem ou para mal.

Muito além de religião, um belíssimo filme, que contrariando o título deste post, merece ser assistido, ou melhor, merece ser contemplado.

E vc já viu o filme? O que achou? Deixe suas impressões nos comentários logo abaixo.

[fblike]